HMEC - Síntese Provisória e Q.A's 2 - 30/10/24
- thikow
- 30 de out. de 2024
- 7 min de leitura
Atualizado: 6 de nov. de 2024
Síntese Provisória 2 - 4º Semestre
Caso 1 - Prontuário Médico
Paciente: Roberta
Idade: 26 anos
Estado Civil: Casada há 4 anos
Profissão: Pedagoga
Gestações: Primigesta (G1P0A0)
Queixa Principal: Urina amarela escura, falta de apetite e poliúria
Histórico:
Gravidez: Desejada, 10ª semana
Sintomas: Nega náuseas, cólicas, vômito e estresse
Alterações: Nega alterações de pele e de mama
Sono: 8 horas, reparador
Peso: 64 kg (pré-gestacional), ganho de 2 kg, altura de 1,65 m, IMC atual: 24,24
Alimentação: Vegetariana, consome peixe às sextas-feiras, frutas, legumes, cereais, iogurte e chá verde, bom consumo de água
Histórico Familiar: Pai e mãe hipertensos
Saúde da Mulher: Menarca aos 12 anos, exame de papanicolau em atraso
Hábitos: Caminhada 3 vezes por semana
Trabalho: 7h às 12h e 13h às 17h
Vacinação: Atraso nas vacinas de hepatite B, dT e influenza
Medicação: Ácido fólico 5 mg
Exames:
Urina: Cultura positiva para Escherichia coli, leucócitos 90.000, nitrito negativo e proteína negativa
Sangue: Hemoglobina 10 (limite inferior), glicemia 86
Tipagem Sanguínea: A+
Sorologias: Negativas
Hipóteses:
Urina amarela escura devido à infecção urinária
Chá verde pode ser prejudicial na gestação
Hemoglobina 10 sugere início de anemia
Vacinação atrasada aumenta risco fetal e materno
Questões:
Sinais e sintomas de infecção urinária na gestante e riscos associados
Tratamento da infecção urinária na gestante e riscos de antibióticos
Importância e fase ideal para o exame de papanicolau em gestantes
Riscos do consumo de chá verde na gestação
Variações de hemoglobina na gestação e valores de referência
Vacinas indicadas para gestantes e riscos da falta de vacinação
Indicações para sulfato ferroso e ácido fólico na gestação
Caso 2 - Prontuário Médico
Paciente: Viviane Dutra
Idade: 30 anos
Estado Civil: Casada
Gestações: G2P1A0, mãe de uma filha de 4 anos
Queixa Principal: Enjoo há 2 semanas, vômitos há 5 dias, falta de apetite
Histórico:
Gravidez: Planejada, aproximadamente 10 semanas
Renda: R$ 1.400 - R$ 2.000, apartamento financiado
Trabalho: Cartório, 9h às 18h
Saúde da Mulher: Menarca aos 11 anos, ciclos regulares, último papanicolau há mais de 1 ano
Alimentação: Restrita devido aos enjoos; consome 2L de água/dia
Histórico Familiar: Mãe hipertensa e pai diabético
Vícios: Reduziu tabagismo de 10 para 2 cigarros ao dia, consumiu álcool no início da gestação
Hábitos: Sedentária
Medicação: Ácido fólico 5 mg/dia
Vacinação: Atrasada
Exames:
Fator Rh: Negativo
Glicemia: 102 mg/dL (alta)
Sorologias: Negativas para ISTs e toxoplasmose
Questões:
Fisiopatologia, sinais, sintomas e riscos da pré-eclâmpsia/eclâmpsia para mãe e feto
Alterações fetais provocadas pelo tabagismo e alcoolismo
Causas e tratamento da hiperemese gravídica
Consequências da glicemia alta na gestação
Caso 3 - Prontuário Médico
Paciente: Juliana MagalhãesIdade: 20 anosEstado Civil: SolteiraGestações: Primigesta (G1P0A0)Queixa Principal: Ferida na vulva há 30 dias (usou pomada Hipoglós)Histórico:
Gravidez: Não planejada, paciente inicialmente considerou aborto
Vulnerabilidade Socioeconômica: Desempregada, pais desconhecem a gestação
Relacionamento: Não possui relacionamento sério com o pai da criança
DUM: 03/09/2024, DPP: 10/06/2025, IG: 7 semanas e 2 dias
Peso: Pré-gestacional 68 kg, atual 78 kg
Alimentação: Rica em carboidratos e doces
Vícios: Bebeu 3 cervejas por fim de semana no início da gestação
Saúde da Mulher: Menarca aos 12, sexarca aos 17, múltiplos parceiros
Consumo de Água: 1,6 L/dia
Histórico Médico: Vacinas de dT e influenza atrasadas
Medicação: Ácido fólico 5 mg/dia
Exames:
Sangue: AB+, hemoglobina 13 g/dL (sem alterações)
Glicemia: 86
Sorologias: Negativas para ISTs e toxoplasmose
Urina: Sem alterações
Questões:
Tipos de lesões genitais, causas, exames diagnósticos, tratamento e controle de ISTs na gestação
Exames genéticos na gestação e cobertura pelo SUS
Dieta adequada durante a gestação
Abordagem para gestação indesejada
CID de aborto provocado com óbito
__________________________________________________________________________________
AULA - Acidentes com animais peçonhentos
• Escorpiões
Acidentes escopionicos lideram a lista, seguido por serpentes e por aranhas.
Importante realizar a notificação compulsória e saber a biologia, fisiologia (ação do veneno) e fisiopatologia (consequências) das picadas, tal como apresentação clínica e tratamentos.
Sinais e sintomas genéricos (tonturas, náuseas, vômitos)
Escorpiões -> o mais perigoso é o marrom, porém o amarelo é mais frequente.
Mais comum em São Paulo, Minas e Bahia.
Gostam de lugares quentes e secos.
Mortalidade é de 0,2%. Mais comum em crianças menores de 7 anos.
Clínica: Dor local (que pode ser muito intensa, precisando até mesmo de anestésico local em algumas situações).
Tratamento: Soro antiescorpiônico, administrado em casos moderados a graves (quando tem alterações cardíacas ou criança menor de 7 anos) geralmente em pronto-socorros. Alterações cardíacas podem ser arritmias graves e até mesmo bloqueio atrioventricular.
• Cobras e serpentes
Acidentes ofídicos estão em segundo lugar na lista de acidentes com animais peçonhentos.
Acidentes botrópicos, laquéticos, crotálicos e elapídicos -> Tem um mapinha nos pronto-socorros
Botrópicos mais comum -> Jararaca
➢ Principal característica é a necrose local, necessita de soro anti-botrópico
Acidente laquético -> Surucucu
➢ Aumenta acetilcolina causando eventualmente bradicardia -> Tratamento com soro antiserpente ou ou antilaquético
Acidente crotálico -> Cauda com chocalho -> É o mais grave, com alta letalidade no Brasil, mas entre serpentes é a mais baixa por conta da baixa mortalidade (por ser mais difícil o acidente).
➢ Fáscies miastênico ou neurotóxica, com lise muscular, turvação visual e rabdomiólise com mioglobinúria e lesão renal aguda. Tratamento com soro anticrotálico
Acidente elapídico -> Coral -> Cores vermelha, branca e preta, circulam toda a circunferência da cobra -> Veneno muito tóxico
➢ Dormência no local da picada, visão turva, dificuldade na fala, paralisia respiratória, paralisia de músculos.
• Aranhas
Acidentes aracnídeos estão em terceiro lugar na lista de acidentes com animais
Aranha marrom -> Lesão demora 24 hrs para se formar. Lesão dolorida e arroxeada, vai escurecendo e pode evoluir para necrose.
Tratamento com soro antiloxoscélico ou soro antiaracnídico
Aranha armadeira -> É agressiva e causa sintomas leves ou graves, pode levar a morte.
➢ Dor local intensa e imediata, edema, eritema, parestesia (queimação, dormência, coceira), sudorese próximo ao local da picada, hipotermia, taquipneia, bradipneia, visão turva. Raramente: Agitação, náuseas, vômitos, hipotensão arterial.
Em casos mais graves pode apresentar taquicardia, hipertensão
Aranha viúva negra -> Mata o macho após a inoculação
➢ Hiperemia, dor local, sudorese e necrose (faz uma picada com dois orifícios).
Tratamento: soro antilatrodético (Butantã).
Resumo dos materiais fornecidos
Conceitos fundamentais:
Diferença entre animais peçonhentos e venenosos
Animais Peçonhentos: São aqueles que possuem glândulas especializadas que produzem toxinas conectadas a estruturas inoculadoras, como presas, ferrões ou aguilhões. Essas toxinas são utilizadas principalmente para defesa e predação. Exemplos incluem serpentes (cascavel, jararaca, coral-verdadeira), escorpiões (como Tityus serrulatus) e certas aranhas (como as do gênero Phoneutria).
Animais Venenosos: Embora também produzam substâncias tóxicas, esses animais não possuem mecanismos de injeção direta. O envenenamento ocorre via contato ou compressão, como em algumas espécies de sapos, lagartas e certas espécies de peixes. A toxicidade pode ocorrer ao ingerir, tocar ou manipular o animal. Um exemplo é o sapo, cujas glândulas parotoides secretam uma substância irritante.
Grupos principais de animais peçonhentos
Serpentes
Distribuição e importância: Serpentes peçonhentas estão amplamente distribuídas no Brasil, com maior incidência de acidentes nas regiões rurais. As principais famílias de serpentes de interesse médico são as Viperidae (jararacas e cascavéis) e Elapidae (corais-verdadeiras).
Classificação dos dentes inoculadores:
Solenóglifos (presas grandes e retráteis): Viperídeos, como jararacas (Bothrops) e cascavéis (Crotalus), cuja peçonha tem efeito proteolítico, hemorrágico e necrosante.
Proteróglifos (presas fixas e curtas): Corais-verdadeiras (Micrurus), com veneno neurotóxico que pode causar paralisia respiratória.
Opistóglifos (presas localizadas na parte posterior): Presentes em serpentes de menor relevância médica, pois dificultam a inoculação em humanos.
Áglifos (ausência de dentes especializados para inoculação): Serpentes não peçonhentas, como jiboias e sucuris, matam suas presas por constrição.
Fisiopatologia do envenenamento: Os venenos de serpentes apresentam complexas misturas de enzimas, proteínas e toxinas que agem em diferentes sistemas. Em viperídeos, o veneno provoca edema, dor intensa, necrose e sangramentos, enquanto em elapídeos, os efeitos neurotóxicos podem causar paralisia flácida progressiva.
Escorpiões
Espécies de relevância: Destacam-se as do gênero Tityus, sendo o Tityus serrulatus o mais perigoso, responsável por acidentes graves, especialmente em crianças. Os escorpiões são vivíparos, e algumas espécies, como Tityus serrulatus, reproduzem-se por partenogênese, o que facilita sua proliferação em ambientes urbanos.
Toxicidade do veneno: O veneno dos escorpiões possui uma alta concentração de neurotoxinas que alteram a permeabilidade das células nervosas, causando efeitos como agitação, sialorreia, sudorese e, nos casos graves, insuficiência respiratória e choque. O tratamento consiste na administração de soro antiescorpiônico e suporte intensivo.
Aranhas
Principais aranhas perigosas no Brasil:
Aranha-armadeira (Phoneutria spp.): Conhecida por seu comportamento agressivo e pela toxicidade de seu veneno, que provoca dor intensa e efeitos sistêmicos como sudorese, taquicardia e priapismo.
Aranha-marrom (Loxosceles spp.): Provoca lesões cutâneas necróticas devido à ação de enzimas proteolíticas. Nos casos graves, pode ocorrer hemólise intravascular com risco de insuficiência renal aguda.
Viúva-negra (Latrodectus spp.): O veneno neurotóxico da viúva-negra pode causar dor muscular intensa e sintomas sistêmicos, embora a letalidade seja baixa em humanos.
Estratégias de defesa e captura: A maioria das aranhas produz teias, e algumas possuem comportamentos agressivos que aumentam o risco de acidentes, especialmente em áreas urbanas.
Outros animais venenosos
Abelhas Africanizadas: As abelhas africanizadas (Apis mellifera) têm um comportamento defensivo agressivo. O veneno pode causar reações alérgicas graves, incluindo choque anafilático. Em casos de múltiplas picadas, podem ocorrer sintomas de envenenamento sistêmico, como rabdomiólise e insuficiência renal.
Anfíbios Venenosos: Muitos anfíbios possuem glândulas cutâneas que produzem toxinas. Os dendrobatídeos, por exemplo, possuem toxinas que podem ser potencialmente letais e são utilizadas por nativos da Amazônia para envenenar flechas.
Importância ecológica e médica das toxinas
Papel ecológico: Animais peçonhentos e venenosos desempenham funções importantes no controle populacional de pragas e na manutenção do equilíbrio ecológico.
Potencial farmacológico: Muitos venenos são fontes de bioativos para desenvolvimento de fármacos. Já foram isoladas toxinas com propriedades analgésicas, anticoagulantes, antimicrobianas e reguladoras de pressão arterial, entre outras. O estudo contínuo dessas toxinas representa uma grande oportunidade para novas terapias.
Fisiopatologia e conduta em acidentes
Classificação dos acidentes: Acidentes são classificados em leves, moderados e graves, com base nos sintomas e na quantidade de veneno inoculado.
Tratamento inicial:
Soros específicos: Em casos graves, o uso de soros específicos é fundamental. A administração deve ser hospitalar, com monitoramento contínuo dos sinais vitais e acompanhamento de possíveis complicações.
Primeiros socorros: Não é recomendada a utilização de torniquetes ou sucção do veneno. O paciente deve ser mantido em repouso e levado imediatamente a um centro de saúde para avaliação médica.
Monitoramento de complicações: Nos acidentes por serpentes, são comuns necrose e complicações renais, enquanto nos casos de envenenamento por aranhas e escorpiões, os cuidados incluem vigilância de sintomas sistêmicos e suporte ventilatório.
Reflexão: Hoje fizemos a síntese provisória das consultas e logo após fizemos uma aula sobre possíveis acidentes com animais peçonhentos. Como cresci indo para fazenda e para o sítio, já tinha algum conhecimento sobre, porém é muito importante saber ao certo todas as condutas e como reconhecer certos tipos de lesão.
Comentários