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HMEC - OFICINA 1 - 14/08/24

  • Foto do escritor: thikow
    thikow
  • 14 de ago. de 2024
  • 5 min de leitura

Atualizado: 18 de set. de 2024

Hoje foi nosso retorno as aulas de habilidades médicas, onde aprendemos sobre o protocolo SPIKES. Eu já havia aprendido sobre o protocolo por fazer parte da liga de urgência e emergência (UREMMA), porém nossa professora nos deu a oportunidade de encenar algumas situações e colocar a prova a difícil missão de passar uma mensagem não muito agradável para quem está ouvindo. Na teoria tudo parece simples, encenando já fica difícil, imagina na prática...

 


O que é o protocolo SPIKES?


O protocolo SPIKES é uma metodologia que reúne seis boas práticas na hora de comunicar más notícias ao paciente. Ele foi criado para deixar a comunicação entre profissionais e pacientes mais simples, clara e humanizada, por se tratarem de casos graves e/ou terminais.

Todas as áreas da prática médica podem se beneficiar do protocolo, mas é na oncologia onde ele fica mais evidente. Isso porque há a necessidade de uma abordagem mais delicada quando o assunto é diagnóstico, recidiva da doença ou início de tratamento paliativo.


1.     Planejando a entrevista (S – setting up the interview)

Todos os detalhes precisam ser planejados. Desde o ambiente para acolher o paciente ou a pessoa que receberá a notícia, até a forma de passar a informação, de forma empática e assertiva. Deve se ensaiar a maneira de abordar e escolher um ambiente calmo e onde não haja interrupções externas. Desligue o celular ou peça para alguem ficar com ele naquele momento. Estabeleça esse contato em um ambiente com o máximo de privacidade que o momento lhe permitir.


2.     Avaliando a percepção do paciente (P – perception)

Antes de falar sobre a doença, é importante saber sobre o que já foi dito para ele sobre sua condição e quais as suas expectativas. Entender o que ele compreende acerca do que será abordado. A partir da observação e do feedback do paciente, molde e corrija a informação para o pleno entendimento do quadro e alinhe todas as expectativas para a realidade do paciente dando tempo para que ele viva esse momento.

Uma vez que a informação foi dada, é a hora de perceber as reações desse paciente – pelo menos neste momento. As reações são as mais variadas possíveis. Ele está em negação? Em desespero? Expressa raiva, angustia ou tristeza? Há quem fique isolado em silêncio ou mesmo um misto de tudo isso. Permita que o paciente processe essa informação, viva sua tristeza, chore. É sempre bom ter uma caixa de lenços, um copo de água, tempo e paciencia para que o paciente possa compreender e "digerir" a informação.

A partir da observação e do feedback do paciente, molde e corrija a informação para o pleno entendimento do quadro e alinhe todas as expectativas para a realidade do paciente dando tempo para que ele viva esse momento.


3.     Obtendo o convite do paciente (I – invitation)

Quando o paciente explicita a vontade de saber sobre tudo, o médico recebe "carta branca" para falar sobre a verdadeira condição do paciente. Entretanto, quando o paciente não deixa clara a sua vontade de saber toda a informação ou não quer saber, é válido que o médico questione ao paciente o que ele quer saber sobre a sua doença e sobre o resultado dos seus exames. Pode ser que haja uma reação de negação da doença. É preciso ir compartilhando informação sobre as alternativas disponíveis de pouco em pouco até que se obtenha uma espécie de convite do paciente para saber mais.

Se o paciente não quiser saber dos detalhes, se ofereça para responder a qualquer pergunta no futuro ou para falar com um parente ou amigo.


4.     Dando conhecimento e informação ao paciente (K – knowledge)

A linguagem precisa ser o mais simples possível para que o entendimento seja pleno e que o paciente consiga absorver facilmente – apesar do conflito interno de emoções, deve-se ser claro, objetivo, honesto, empático e assertivo.

Esse cuidado precisa ser redobrado quando estão em cena os pacientes candidatos a cuidados paliativos. A desesperança de sobrevida precisa ser aliviada ao máximo possível, focando na qualidade de vida com o tempo que se tem, no que diz respeito ao controle da dor e dos sintomas da doença. Para um paciente com câncer terminal, por exemplo, esperança pode ser assistir ao nascimento de seu neto com suas dores controladas e o máximo de qualidade de vida que a medicina possa lhe oferecer em seus últimos momentos.

Expressões técnicas demais, frias e duras não contribuem para o sucesso do protocolo SPIKES e, de tempos em tempos, é preciso se certificar que o paciente está entendendo os procedimentos.


5.     Abordar as emoções dos pacientes com respostas afetivas (E – emotions):

Todas as emoções demonstradas pelo paciente precisam ser acolhidas de maneira empática pelo médico, afinal a má notícia é um divisor de água na vida da pessoa acometida pela doença.

A fragilidade instaurada à esse paciente pode ser amenizada através de gestos e/ou frases de solidariedade, que são fundamentais para o entendimento sobre o caso e ainda minimizam o isolamento por parte do paciente. Cada um leva um tempo diferente para processar as informações, portanto qualquer reação por parte dele, nesse momento, deve ser encarada com normalidade e cuidado.


6.     Estratégia e resumo (S – strategy and summary):

Independentemente se a via de tratamento é curativa ou paliativa, sempre pergunte se o paciente está pronto para prosseguir com a conversa. Ainda que a segunda via seja motivo de revolta e desespero, foque em explicar a eficácia desta para uma melhor qualidade de vida.

Ainda que as informações tenham efeito negativo, dados importantes sobre o quadro não devem ser negados ou mantidos em sigilo, exceto se for uma vontade expressada por ele. Por outro lado, revelar tudo sem a mínima preocupação com a linguagem e sem oferecer o suporte necessário pode ter consequências tão graves quanto as causadas pela omissão de fatos. Mais uma vez ressalto, seja empático e cuidadoso.

Após a compreensão e aceitação plena desse paciente é necessário traçar seu plano de cuidado e sumarizar todo o trajeto desse plano, explicando ponto a ponto para que fique bem claro ao paciente como as coisas acontecerão.



Bibliografia: Lino CA, Augusto KL, Oliveira RAS, Feitosa LB, Caprara A. Uso do Protocolo Spikes no Ensino de Habilidades em Transmissão de Más Notícias. Rev Bras Educ Med. 2011;53(1):52-7.


Reflexão: Essa é uma aula que nos faz refletir muito sobre as coisas e no papel do médico na vida das pessoas. Seremos constantemente portadores de notícias que vão mudar o dia daquele paciente, para melhor ou pior. Uma notícia pode trazer toda a alegria do mundo, como por exemplo uma gravidez esperada, um parto que correu bem, uma cura tão esperada pela familia. Por outro lado podemos levar o sol para longe da vida das pessoas, mesmo sem querer, apenas com uma notícia. A notícia de um câncer de dificil cura, de uma doença o qual não se conhece o tratamento ou da piora de um quadro onde a medicina nada mais pode fazer, com certeza será uma pedra enorme que cairá sobre a cabeça daquele que estiver recebendo essa notícia. A empatia, a compaixão, o cuidado, não vai mudar essa noticia tão ruim, mas pode ser um pequeno anestésico para quem a estiver recebendo. Acho que essa foi a lição de hoje, do outro lado da notícia está o amor da vida de alguém, logo, faça seu dever com empatia, cuidado, amor e compaixão.

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