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NCS - MORFOLOGIA - 13/04/23 - SP 2.4

  • Foto do escritor: thikow
    thikow
  • 13 de abr. de 2023
  • 14 min de leitura

SP 2.4 - Até quando?



Gastrulacao


Gastrula – 3 folhetos

Gastrula já começa a formação dos eixos.

A gatrulação é o processo que estabelece as 3 camadas (folhetos) germinativas (ectoderma, mesoderma e endoderma) no embrião. Esse evento tem inicio com a formação da linha primitiva


Epiblasto passa a ser ectoderma

Mesoderma também do epiblasto

Hipoblasto passa a ser endoderma




Fase lútea é a fase secretora para manter progesterona no útero, e o que mantém a fase secretora é a progesterona.

O corpo lúteo vai produzir beta hcg para manter essa progesterona, para que assim não haja aborto. Posteriormente quem vai continuar produzindo a progesterona será a placenta.

Linhagem evolutiva na fecundação –> Zigoto –> Blastomeros –> Mórula –> Blastocisto (Blastula) –> Gastrula


QUESTÕES


A. Quais são as camadas do disco bilaminar?

No disco bilaminar, temos o epiblasto e hipoblasto.

B. Como se forma o saco vitelino?

A cavidade do blastocística, passa a ser denominada saco vitelino, pq agora temos células do hipoblasto e forma a membrana excelômica dentro da cavidade.

C. Como se forma a gástrula?

Gastrulação - processo que estabelece as três camadas: ectoderma, mesoderma e endoderma.

A gastrulação inicia com o surgimento da "Linha Primitiva" na superfície do Epiblasto: Células do Epiblasto proliferam e migram em direção ao plano mediano, formando a linha primitiva.

- As células invaginam pela linha primitiva.

- Algumas substituem o Hipoblasto, que agora será chamado de Endoderma.

- Outras se concentram entre o antigo Hipoblasto e o Epiblasto, formando o mesoderma.

- O que restou do epiblasto se converterá em Ectoderma

Quais são os tecidos, órgãos e sistemas que serão originados a partir de cada um destes tecidos embrionários?


- Notocorda ( mesoderma, abaixo do no primitivo) - formação do esqueleto axial e futuro local das vertebras

- Neurulação (ectorma, acima da notocorda) - formação do tubo neural.

Mesoderma paraxial - formação dos somitos - músculos, vertebras e costelas.

- Alantóide - endoderma em direção ao pedículo do embrião- originara veias, arteriais e ligamentos umbilical

- Vasos sanguíneos - mesoderma vasculogênese (mudanças de células com formção de novos vasos) e angiogênese - união de duas ramificações de vasos, formando o coração tubular, com fluxo sanguíneo um uma só direção.




■ GASTRULAÇÃO | FORMAÇÃO DO MESODERMA E DO ENDODERMA EMBRIONÁRIOS

O evento mais característico durante a terceira semana de gestação é a gastrulação, o processo que estabelece as três camadas germinativas(ectoderma, mesoderma e endoderma) no embrião. A gastrulação começa com a formação da linha primitiva na superfície do epiblasto. Inicialmente, a linha é sutil (ver Figura 5.1), mas, no embrião de 15 a 16 dias, ela é bem visualizada como um sulco estreito entre regiões levemente protrusas. A parte cefálica da linha, o nó primitivo, consiste em uma área levemente elevada que cerca a fosseta primitiva (ver Figura 5.2). As células do epiblasto migram para a linha primitiva (ver Figura 5.2). Quando chegam à região da linha, elas adotam um formato de frasco, desprendem-se do epiblasto e deslizam para baixo dele (ver Figura 5.2B e C). Esse movimento para dentro é conhecido como invaginação. A migração e a especificação celulares são controladas pelo fator de crescimento de fibroblastos 8 (FGF8), que é sintetizado pelas próprias células da linha primitiva. Esse fator de crescimento controla o movimento celular por infrarregulação da caderina E, uma proteína que normalmente mantém as células epiblásticas unidas. O FGF8 controla a especificação celular no mesoderma ao regular a expressão de BRACHYURY (T). Após a invaginação das células, algumas deslocam o hipoblasto, criando o endoderma embrionário, e outras ficam entre o epiblasto e o endoderma recém-criado, formando o mesoderma. As células que permanecem no epiblasto formam, então, o ectoderma. Assim, o epiblasto, por meio do processo de gastrulação, é a fonte de todas as camadas germinativas (ver Figura 5.2B); células dessas camadas darão origem a todos os tecidos e órgãos do embrião.







Figura 5.2 A. Região dorsal do disco germinativo de um embrião de 16 dias indicando o movimento das células epiblásticas superficiais (setas pretas sólidas) através da linha e do nó primitivos e migração subsequente dessas células entre o hipoblasto e o epiblasto (setas hachuradas). B. Corte transversal através da região cranial da linha primitiva aos 15 dias, mostrando a invaginação das células epiblásticas. As primeiras células a se moverem para dentro deslocam o hipoblasto para criar o endoderma definitivo. Depois que o endoderma definitivo tiver sido estabelecido, o epiblasto se moverá para dentro para formar o mesoderma.


Conforme mais e mais células se movem entre as camadas epiblásticas e hipoblásticas, elas começam a se espalhar lateral e cranialmente (ver Figura 5.2). Gradualmente, elas migram para além da margem do disco e estabelecem contato com o mesoderma extraembrionário que cobre a vesícula vitelínica (ou saco vitelínico) e o âmnio. No sentido cefálico, elas passam para cada lado da placa precordal. A própria placa precordal se forma entre a ponta da notocorda e a membrana orofaríngea e é derivada de algumas das primeiras células que migram através do nó primitivo na linha média e se deslocam no sentido cefálico. Mais tarde, a placa precordal será importante para a indução do prosencéfalo (Figura 5.3; ver Figura 5.2). A membrana orofaríngea na parte cranial do disco consiste em uma pequena região de células ectodérmicas e endodérmicas bem aderidas que representa a futura abertura da cavidade oral.


■ FORMAÇÃO DA NOTOCORDA

As células pré-notocordais que se invaginam pelo nó primitivo movem-se cranialmente na linha média até alcançar a placa precordal (ver Figura 5.3). Essas células pré-notocordais ficam intercaladas no hipoblasto de modo que, por um curto período, a linha média do embrião consiste em duas camadas de células que formam a placa notocordal (ver Figura 5.3B). À medida que o hipoblasto é substituído por células endodérmicas que se deslocam para a linha primitiva, as células da placa notocordal proliferam e se soltam do endoderma. Elas formam, então, um cordão sólido de células, a notocorda definitiva (ver Figura 5.3C), que se posiciona sob o tubo neural e é um centro de sinalização para a indução do esqueleto axial. Como o alongamento da notocorda é um processo dinâmico, a parte cranial se forma primeiro e as regiões caudais são adicionadas conforme a linha primitiva adota uma posição mais caudal. A notocorda e as células pré-notocordais se estendem cranialmente até a placa precordal (uma área imediatamente caudal à membrana orofaríngea) e caudalmente à fosseta primitiva. No ponto onde a fosseta forma uma endentação no epiblasto, o canal neuroentérico conecta temporariamente as cavidades amniótica e vitelínica (ver Figura 5.3A).



A membrana cloacal é formada na parte caudal do disco embrionário (ver Figura 5.2A). Essa membrana, que tem estrutura semelhante à da membrana orofaríngea, consiste em células ectodérmicas e endodérmicas bem aderidas sem mesoderma entre elas. Quando a membrana cloacal aparece, a parede posterior da vesícula vitelínica forma um pequeno divertículo que se estende até o pedúnculo embrionário. Esse divertículo, o divertículo alantoentérico, ou alantoide, aparece por volta do décimo sexto dia do desenvolvimento (ver Figura 5.3A). Embora em alguns vertebrados inferiores o alantoide funcione como um reservatório para os produtos de excreção do sistema renal, nos seres humanos, ele permanece rudimentar, mas pode estar envolvido em anomalias do desenvolvimento da bexiga urinária

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■ ESTABELECIMENTO DOS EIXOS CORPORAIS

O estabelecimento dos eixos corporais anteroposterior (A-P; craniocaudal), dorsoventral (D-V) e esquerdo-direito (E-D) ocorre no início da embriogênese e provavelmente é iniciado no estágio de mórula do desenvolvimento com os eixos A-P e D-V especificados antes de E-D (ver Capítulo 3). No estágio de blastocisto, o eixo A-P é determinado, e as células que são destinadas para formar o endoderma visceral anterior (EVA) na extremidade cranial da camada endodérmica do disco bilaminar (Figura 5.4) migram em direção ao que se tornará a região da cabeça. Nesse estágio do disco bilaminar, as células no EVA expressam os genes essenciais para a formação da cabeça, incluindo os fatores de transcrição OTX2, LIM1 e HESX1, bem como os fatores solúveis cerberus e lefty1 (membros da família TGF-β), que inibem a atividade de nodal (um membro da família TGF-β), estabelecendo, assim, a parte cranial do embrião. A ausência de cerberus e lefty1 na parte caudal do embrião permite que a expressão de nodal continue, e este sinal estabelece e mantém a linha primitiva (ver Figura 5.4). Uma vez que a linha primitiva esteja formada, o NODAL aumenta a expressão de vários genes responsáveis pela formação dos mesodermas dorsal e ventral, assim como das estruturas da cabeça e da cauda. Outro membro da família do TGF-β, a proteína morfogenética óssea 4 (BMP4), é secretada por todo o disco embrionário (Figura 5.4). Na presença dessa proteína e de FGF, o mesoderma será ventralizado para contribuir na formação dos rins (mesoderma intermediário), sangue e mesoderma da parede corporal (mesoderma da placa lateral). Na verdade, todo o mesoderma seria ventralizado se a atividade da BMP4 não fosse bloqueada por outros genes expressos no nó. Por esse motivo, o nó é o organizador. Essa designação foi dada por Hans Spemann, que descreveu esta atividade pela primeira vez no lábio dorsal do blastóporo de embriões de Xenopus, uma estrutura análoga ao nó primitivo em embriões de Xenopus. CHORDIN (ativado pelo fator de transcrição GOOSECOID), noggin e follistatin antagonizam a atividade da BMP4. Como resultado, o mesoderma cranial é dorsalizado na notocorda, nos somitos e nos somitômeros (Figura 5.4). Mais tarde, esses três genes são expressos na notocorda e são importantes para a indução neural na região cranial.




Outro membro da família do TGF-β, a proteína morfogenética óssea 4 (BMP4), é secretado por todo o disco embrionário (ver Figura 5.4). Na presença dessa proteína e de FGF, o mesoderma será ventralizado para contribuir na formação dos rins (mesoderma intermediário), sangue e mesoderma da parede corporal (mesoderma da placa lateral). Na verdade, todo o mesoderma seria ventralizado se a atividade da BMP4 não fosse bloqueada por outros genes expressos no nó. Por esse motivo, o nó é o organizador. Essa designação foi dada por Hans Spemann, que descreveu esta atividade pela primeira vez no lábio dorsal do blastóporo, uma estrutura análoga ao nó primitivo em embriões de Xenopus. CHORDIN (ativado pelo fator de transcrição GOOSECOID), noggin e follistatin antagonizam a atividade da BMP4. Como resultado, o mesoderma cranial é dorsalizado na notocorda, nos somitos e nos somitômeros (ver Figura 5.4). Mais tarde, esses três genes são expressos na notocorda e são importantes para a indução neural na região cranial.

Como mencionado, Nodal está envolvido na iniciação e na manutenção da linha primitiva. Da mesma maneira, HNF-3β mantém o nó primitivo e, mais tarde, induz a especificação regional das estruturas do prosencéfalo e do mesencéfalo. Sem HNF-3β, os embriões não conseguem gastrular adequadamente e não desenvolvem prosencéfalo e mesencéfalo. Como mencionado, GOOSECOID ativa os inibidores da BMP4 e contribui para a regulação do desenvolvimento da cabeça. A sub ou a superexpressão desse gene em animais de laboratório resulta em malformações graves da região da cabeça.

A regulação da formação do mesoderma dorsal nas partes medial e caudal do embrião é controlada pelo gene BRACHYURY (T) expresso no nó primitivo, nas células precursoras da notocorda e na notocorda. Esse gene é essencial para a migração celular pela linha primitiva. BRACHYURY codifica uma proteína de ligação a uma sequência específica de DNA que funciona como um fator de transcrição. O sítio de ligação ao DNA é chamado de T-box, e há mais de 20 genes na família T-box. Dessa maneira, a formação do mesoderma nessas regiões depende desse produto gênico, e sua ausência resulta no encurtamento do eixo embrionário (disgenesia caudal). O grau de encurtamento depende do momento em que a proteína se torna deficiente.

A lateralidade (esquerda-direita) também é estabelecida no início do desenvolvimento. Normalmente, muitos órgãos apresentam assimetrias, incluindo o coração, os pulmões, o intestino, o baço, o estômago, o fígado e outros. O posicionamento desses órgãos e a definição de suas assimetrias são orquestrados por uma cascata de moléculas e genes sinalizadores. Quando a linha primitiva aparece, o FGF8 é secretado por células no nó e na linha primitivos, e esse fator de crescimento induz a expressão de NODAL (Figura 5.6A). A expressão de NODAL é então restrita ao lado esquerdo do embrião pelo acúmulo de serotonina (5-HT) no lado esquerdo. Essas altas concentrações de 5-HT no lado esquerdo ativam a expressão do fator de transcrição MAD3, que restringe a expressão de NODAL ao lado esquerdo do nó primitivo (Figura 5.6B). Os genes de linha média, como SONIC HEDGEHOG (SHH), LEFTY1 e ZIC3 (um gene no cromossomo X que cria códigos para um fator de transcrição dedo de zinco), estão envolvidos não somente na definição da linha média, mas também impedem que a expressão NODAL atravesse para o lado direito. Por fim, a proteína Nodal no mesoderma da placa lateral esquerda inicia uma cascata de sinalização que inclui LEFTY2 para suprarregular PITX2 (ver Figura 5.6B). PITX2 é um fator de transcrição que contém homeobox, que é um “gene mestre” responsável pelo estabelecimento da lateralidade esquerda, e sua expressão é repetida no lado esquerdo do coração, no estômago e no intestino primitivo conforme esses órgãos adotam suas posições corporais assimétricas. Se o gene for expresso ectopicamente (p. ex., no lado direito), essa expressão anormal resulta em defeitos de lateralidade, inclusive situs inversus e dextrocardia.


Observe que o neurotransmissor 5-HT também tem participação essencial nessa cascata de sinalização que estabelece a lateralidade. A 5-HT está concentrada no lado esquerdo, que ativa MAD3 e restringe a sinalização de Nodal no lado esquerdo (ver Figura 5.6B). Os estudos com animais mostram que alterar a sinalização de 5-HT pode resultar em situs inversus, dextrocardia, cardiopatia e vários tipos de defeitos congênitos relacionados com a lateralidade, chamados heterotaxia; enquanto estudos epidemiológicos indicam que malformações semelhantes ocorrem em humanos quando a sinalização por 5-HT é interrompida por agentes farmacêuticos


Os genes que regulam o desenvolvimento do lado direito não são tão bem definidos, embora a expressão do fator de transcrição SNAIL seja restrita ao mesoderma da placa lateral direita e provavelmente regule os genes efetores responsáveis pelo estabelecimento do lado direito. Por que a cascata é iniciada no lado esquerdo é um mistério, mas o mecanismo pode envolver cílios nas células do nó primitivo, que batem para gerar um gradiente de Nodal para a esquerda ou um gradiente de sinalização estabelecido por junções comunicantes e transporte de pequenos íons.



■ MAPA DE DESTINO CELULAR ESTABELECIDO DURANTE A GASTRULAÇÃO

As regiões do epiblasto que migram e ingressam pela linha primitiva foram mapeadas (Figura 5.7), e seus destinos, determinados. As células que migram pela região cranial do nó, por exemplo, tornam-se a placa precordal e a notocorda; as que migram nas extremidades laterais do nó e a partir da parte cranial da linha se tornam o mesoderma paraxial; as células que migram pela região média da linha se tornam o mesoderma intermediário; as que migram pela parte caudal da linha formam o mesoderma da placa lateral; e as células que migram na parte mais caudal da linha contribuem para o mesoderma extraembrionário (a outra fonte desse tecido é a vesícula vitelínica primitiva [hipoblasto]).




■ CRESCIMENTO DO DISCO EMBRIONÁRIO


O disco embrionário, inicialmente achatado e quase redondo, torna-se alongado gradualmente, com uma parte cefálica larga e uma região caudal estreita (ver Figura 5.2A). A expansão do disco embrionário ocorre principalmente na região cefálica; a região da linha primitiva permanece aproximadamente com o mesmo tamanho. O crescimento e o alongamento da parte cefálica do disco são causados por migração contínua de células da região da linha primitiva no sentido cefálico. A invaginação das células superficiais na linha primitiva e sua migração subsequente para a frente e lateralmente continua até o fim da quarta semana. Nesse estágio, a linha primitiva mostra alterações regressivas, diminui rapidamente e logo desaparece.

O fato de que a linha primitiva na parte caudal do disco continua a fornecer novas células até o fim da quarta semana tem um impacto importante para o desenvolvimento do embrião. Na parte cefálica, as camadas germinativas começam sua diferenciação específica por volta da metade da terceira semana, enquanto, na parte caudal, a diferenciação começa até o fim da quarta semana. Assim, a gastrulação, ou a formação das camadas germinativas, continua nos segmentos caudais ao mesmo tempo que as estruturas craniais estão se diferenciando, fazendo com que o embrião se desenvolva no sentido cefalocaudal.



■ DESENVOLVIMENTO POSTERIOR DO TROFOBLASTO


No início da terceira semana, o trofoblasto é caracterizado por vilosidades primárias, que consistem em um cerne citotrofoblástico recoberto por uma camada sincicial (Figuras 5.10 e 5.11). Com a continuação do desenvolvimento, as células mesodérmicas penetram o cerne de vilosidades primárias e crescem na direção da decídua. A estrutura recém-formada é chamada de vilosidade secundária (ver Figura 5.11).

Ao fim da terceira semana, as células mesodérmicas no centro da vilosidade começam a se diferenciar em células sanguíneas e em pequenos vasos sanguíneos, formando o sistema capilar da vilosidade (ver Figura 5.11). A vilosidade é chamada, então, de vilosidade terciária ou vilosidade placentária definitiva. Os capilares da vilosidade terciária fazem contato com os capilares que se desenvolvem no mesoderma da placa coriônica e do pedúnculo embrionário (Figuras 5.12 e 5.13). Esses vasos, por sua vez, estabelecem contato com o sistema circulatório embrionário, conectando a placenta e o embrião. Então, quando o coração começa a se contrair na quarta semana do desenvolvimento, o sistema viloso está pronto para nutrir o embrião com nutrientes essenciais apropriados e oxigênio.

Enquanto isso, as células citotrofoblásticas nas vilosidades penetram progressivamente no sincício sobrejacente, até que alcançam o endométrio. Ali, elas estabelecem contato com extensões semelhantes dos troncos vilosos vizinhos, formando uma fina capa citotrofoblástica externa (ver Figuras 5.12 e 5.13). Essa capa cerca gradualmente o trofoblasto e liga o saco coriônico ao tecido endometrial materno (ver Figura 5.12). As vilosidades que se estendem da placa coriônica até a decídua basal (placa decidual: a parte do endométrio onde a placenta se formará; ver Capítulo 8) são chamadas de vilosidades de ancoragem ou troncos vilosos. As que se ramificam das laterais dos troncos vilosos são vilosidades livres (terminais), por intermédio das quais ocorrerá a troca de nutrientes e de outros fatores.





Nesse ínterim, a cavidade coriônica aumenta e, até o décimo nono ou o vigésimo dia, o embrião está ligado a sua capa trofoblástica por um pedúnculo embrionário estreito (ver Figura 5.12). O pedúnculo embrionário se desenvolverá mais tarde no cordão umbilical, que estabelece a conexão entre a placenta e o embrião.



RESUMO

O evento mais característico durante a terceira semana é a gastrulação. Ela começa com o surgimento da linha primitiva, que tem em sua parte cefálica o nó primitivo. Na região do nó e da linha, as células epiblásticas se movem para dentro (invaginam) para formar novas camadas, o endoderma e o mesoderma. As células que não migram através da linha primitiva, mas permanecem no epiblasto, formam o ectoderma. Assim, o epiblasto dá origem às três camadas germinativas, ectoderma, mesoderma e endoderma, e essas camadas formam todos os tecidos e órgãos (Figuras 5.2 e 5.3).

As células pré-notocordais que invaginam na região da fosseta primitiva se deslocam para a região cefálica até alcançarem a placa precordal. Elas se intercalam no endoderma como a placa notocordal (Figura 5.3). Com a continuação do desenvolvimento, a placa se desprende do endoderma e forma um tubo sólido, a notocorda. Essa estrutura determina um eixo na linha média, que funcionará como a base do esqueleto axial (Figura 5.3). As partes cefálica e caudal do embrião são estabelecidas antes que a linha primitiva tenha se formado. Assim, as células do hipoblasto (endoderma) na margem cefálica do disco formarão o EVA, que expressa genes de formação da cabeça, incluindo OTX2, LIM1 e HESX1, bem como o fator solúvel cerberus. NODAL, um membro da família de genes TGF-β é, então, ativado e inicia e mantém a integridade do nó e da linha primitivos. Na presença de FGF, o BMP4 ventraliza o mesoderma durante a gastrulação de modo que ele forme o mesoderma intermediário e o mesoderma da placa lateral. Chordin, noggin e follistatin antagonizam a atividade de BMP4 e dorsalizam o mesoderma para originar a notocorda e os somitômeros na região da cabeça. A formação dessas estruturas em regiões mais caudais é regulada pelo gene BRACHYURY (T) (Figura 5.4A). A lateralidade (assimetria esquerda-direita) é regulada por uma cascata de moléculas e de genes sinalizadores. FGF8, secretado por células no nó e na linha primitivos, induz a expressão de NODAL e de LEFTY2 do lado esquerdo, e esses genes aumentam a expressão de PITX2, um fator de transcrição e gene-chave para a lateralidade esquerda (Figura 5.6). O neurotransmissor serotonina (5-HT) também atua na definição da lateralidade por meio da restrição da expressão de NODAL ao lado esquerdo. O posicionamento normal dos órgãos (à esquerda e à direita) é chamado de situs solitus, enquanto sua inversão completa é chamada de situs inversus. Quando um ou mais órgãos estiverem em posição anormal, essa condição será chamada de situs ambiguous ou heterotaxia. Indivíduos com situs inversus correm baixo risco de apresentar outros defeitos congênitos, mas seus filhos correm risco mais elevado, principalmente para cardiopatia. Em contrapartida, os pacientes com heterotaxia correm risco elevado de ter muitos tipos de malformações congênitas e quase todos apresentam algum tipo de anormalidade cardíaca. Erros nos níveis de 5-HT ou a expressão incorreta de genes da via de sinalização da lateralidade, como PITX2, resultam em defeitos de lateralidade, como dextrocardia, situs inversus e anomalias cardíacas. As mutações no fator de transcrição dedo de zinco ZIC3 causam heterotaxia associada ao X com cardiopatias graves e outros defeitos.

As células epiblásticas que se movem pelo nó e pela linha primitivos são predeterminadas por suas posições a se tornarem tipos específicos de mesoderma e de endoderma. Assim, é possível elaborar um mapa de destino do epiblasto mostrando seu padrão (Figura 5.7).

No fim da terceira semana, são estabelecidas três camadas germinativas na região da cabeça, consistindo em ectoderma, mesoderma e endoderma, e esse processo continua a produzir essas camadas para as áreas mais caudais do embrião até o fim da quarta semana. A diferenciação tecidual e orgânica já começou e ocorre no sentido cefalocaudal à medida que a gastrulação continua.

Enquanto isso, o trofoblasto progride rapidamente. As vilosidades primárias adquirem um centro mesenquimatoso, no qual surgem pequenos capilares (Figura 5.12). Quando esses capilares vilosos fazem contato com os capilares da placa coriônica e do pedúnculo embrionário, o sistema viloso está pronto para fornecer nutrientes e oxigênio ao embrião (Figura 5.13).



SADLER, T W. Langman Embriologia Médica: 14 edição. Grupo GEN, 2021. E-book. ISBN 9788527737289. Disponível em: 01 de Maio de 2023 <https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527737289/epubcfi/6/36[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter05]!/4/54/3:112[to%20%2Cdo%20]>



REFLEXÃO: Estou um pouco preocupado pelo tanto de coisas que acontecem na formação de um bebê. São vários processos e diferenciacões que precisamos aprender e fixar. Espero que rever tudo algumas vezes me fixe esse conteúdo. No mais é uma matéria extremamente mágica, ver como os tecidos se diferenciam e formam diversas estruturas. A aula correu bem hoje, muita coisa pra ver porém bastante aprendizado.

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©2023 por Thiago R. E. Sampaio.

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